12 de junho de 1429
Boa Tarde.
Meu nome é Peter Sulivan. Este é o primeiro dia que escrevo em vossas paginas, também o primeiro integrante de minha família a usalo. Gostaria de me apresentar a vossa senhoria:
Sou um rapaz com olhos castanhos, pele clara e cabelos de um mel escuro. Sou de família pobre, mas muito trabalhadora, tenho três irmãos chamados Luca, Stefan e Claire. Meus pais são Jardelino e Philipina.
Bom, hoje é meu aniversario, e eu ganhei esse diário, pois meus pais pensão que será mais fácil eu passar por tal parte de minha vida.
Hoje estou completando 18 anos.
Hoje é um dia interessante, estou entrando na obscuridade da vida adulta. Não que a data em si signifique algo espetacular ou represente alguma ruptura com minha vida pregressa. O que me parece certo é que o sol continuará a nascer como sempre pelos próximos dias. Sou mais adepto das permanências, e dificilmente noto uma mudança quando ela ocorre, vou levar algum tempo para entender este novo momento. Não estou muito assustado comparado à relutância que tive em aceitar meus dezessete anos. O sentimento que me acompanha é o de felicidade, inclusive pelas palavras amigas que recebi e evidentemente agradeço a todos. O tempo hoje está chuvoso, gosto disto. Esse clima me convida a recolher-me ainda mais satisfeito em meu quarto, por saber que, se por um lado é o meu lugar preferido no mundo todo, por outro, com o tempo assim não há outras opções mais interessantes para se fazer, melhor é fechar-se, embora este dia me lembre de que as responsabilidades não são mais as mesmas, convidando-me a uma abertura cada vez maior. Quero elevar-me, sem dúvida, mas sem esquecer-me do aviso daquele autor que escrevera que:
´´Quem deseja isto continuamente deve esperar pela vertigem e que quem cai diz: ‘levante-me’. Quem levarei comigo?``
Neste dia, o mais ambíguo de meus amigos é o silêncio; principalmente o do mundo, deste que me olha indiferente, com ares de desafio, como se eu tivesse que anha-lo. Não sei o que lhe responder, nem sei se me pergunta algo. As perguntas e respostas têm ficado cada vez mais intrincadas e tudo que sei me parece insuficiente. Eu posso querer parar, tenho o direito de ter medo, e até vivificar as mais insólitas nostalgias, e acreditar que os tempos antigos possuem a mesma inspiração e significado. O eterno retorno é uma idéia atraente, mas a singularidade da vida humana é maior, e é no fluir que eu devo estar atento. Muitas histórias ainda me esperam e a vida segue, nem boa nem má.
Gostaria de compartilhar uma de minhas citações preferidas para a época que estou passando:
“… Algumas coisas serão atiradas em ti, algumas coisas acontecerão. Não é coisa delicada viver. A uma longa viagem vieste, e é necessário que escorregues e que tropeces e que caias e que te canses e que exclames: “Ó Morte”!”, isto é, é necessário que mintas. Num lugar deixarás para trás um companheiro; noutro sepultarás um; noutro ainda terás medo; deste modo, por entre ferimentos, é necessário atravessar esta difícil viagem. Deseja alguém morrer? Que seu espírito esteja preparado contra todas as coisas; que saiba por si mesmo que chegou onde estronda o trovão.” (Carta de Sêneca a Luc ílio, CVII).
14 de junho de 1429
Bom Dia.
Parei de escrever em tuas sabias paginas por uns dias, porem não por ter te esquecido, mas por não ter conseguido tempo antes.
Como citei dias antes, venho de família pobre, e então ajudo minha família trabalhando. Sou caçador, juntamente com meu pai.
Gostaria de escrever mais em tuas paginas, mas terei que partir, pois com os 18 anos, a responsabilidade chega, e eu deverei ajudar no próximo combate. Teremos logo uma guerra por terras, e tenho que admitir, estou com medo.
“MEDO”. Há certo tempo eu nem sabia direito o que significava essa palavra.
Um dia perguntei ao meu pai o que era o medo, ele, já com sua certa idade, era hábil com suas palavras, e se tornaria um dia um grande monge. Foi mais ou menos essa a sua explicação:
“O medo é o maior inimigo do homem. O medo está por trás do fracasso, da doença e das relações humanas desagradáveis. Milhões de pessoas têm medo do passado, do futuro, da velhice, da loucura e da morte. O medo é um pensamento em sua mente e você tem medo dos seus próprios pensamentos.”
“Lembro-me ainda de tu quando menino, que ficou paralisado pelo medo quando sua mãe lhes disse que havia um homem mau debaixo de sua cama e que ele te pegaria se não fosse um bom menino. Quando eu acendi a luz e mostrei-lhe que não havia ninguém, te libertei do medo. O medo na sua mente foi tão real como se houvesse de fato um homem debaixo de sua cama. Curou-se de um pensamento falso em sua mente. A coisa que temia, na verdade, não existia. Da mesma forma, a maioria dos seus medos não tem base na realidade.”
O senhor meu pai ainda ressaltou:
“Ralph Waldo Elerson, filósofo e poeta, disse: Faça aquilo que você receia e a morte do medo será certa”.
“Quando você afirma positivamente que vai dominar seus receios e chega a uma decisão definitiva em sua mente consciente, liberta o poder do subconsciente, que flui em resposta à natureza do seu pensamento.”
“Você nasceu apenas com dois medos: o medo de cair e o medo do barulho. Todos os seus outros medos são adquiridos perante sua vida. Livre-se deles.”
“Dedique sua atenção e devote-se, imediatamente, ao seu desejo, que é o oposto do seu medo. Este é o amor que expulsa o medo. Enfrente seus temores, traga-os à luz da razão. Aprenda a sorrir dos seus temores. Esse é o melhor remédio.”
Após me lembrar dos ensinamentos de meu pai, decidi que tinha que partir. Tenho que ir agora. Devo ajudar a proteger nossas terras, fazendo que as palavras de meu pai não fiquem esquecidas juntamente com o passado, tenho que realizar tais palavras primeiras, e depois terei que passá-los aos meus filhos e netos. Até o meu amigo mais próximo.
22 de setembro de 1429
Olá vossa senhoria!
Desculpe por ter demorado tanto a voltar lhe escrever, mas pretendo lhe contar todos os detalhes, e posso até lhe prometer que foi a melhor e a pior decisão que eu tomei perante tantos anos de angústia e solidão causados pelas guerras.
No dia em que saio daqui, eu e meu pai fomos direto para a guerra. Foram dias difíceis, onde a comida e o descanso eram quase zero. Tudo começou há um dia. Lá estávamos eu e meu pai a caçar algo para comer, enquanto a guerra nos dava uma trégua. Era como um dia normal aqui no vilarejo, ao menos de manhã.
Eu vi um pequeno javali a poucos metros de mim, tentei avisar meu pai que estava não mais de 40 metros de mim, mas se eu fiz barulho, pelo menor que fosses, poderia assustar o animal. Tanto que eu já estava fadigado, não gostaria que nem por um segundo apenas aquele javali tivesses uma sequer vantagem. Então me abaixei atrás de uma árvore, reparei ainda em sua beleza, pois em terras amigas eu e meu grande amigo silêncio compartilhamos os mais belos dos momentos vividos em épocas tão ambíguas, tai como o cair das folhas que amarelas estão ao envelhecer. E quando eu podia me sentar aos seus pés e comer de seu fruto, tomar de sua seiva, e aproveitar de sua sombra e da leve brisa em sua copa. Eu sempre admirei as árvores, mas aquele não era o momento certo pra pensar nisso. Tinha-me de que concentrar.
Mirei no animal. Estava quase por atacar, mas de longe ouvi passos. Meu pai que agora havia percebido a presença do javali, também olhava pelos lados pra ver da onde vinha tal barulho.
Percebi que os passos estavam mais velozes, e o que fosse estava se aproximando de nós. Ouvia se o barulho de cascalhos quebrando aos seres pisoteados ecoar em toda a face da imensidão da floresta, juntamente com o som das copas das árvores balançando com certa velocidade que já estava a me assustar. Lembrei-me de dias atrás quando lhe faleis sobre o medo, e posicionei-me para lutar, pois poderia mesmo ser um de nossos inimigos.
Alguns minutos se passaram e nada mais do barulho, o senhor meu pai ao olhar para o céu, se assustou. Já era hora de se recolher. Ele tanto eu sabíamos que alguém já teria dado por nossa falta no acampamento. Não sabíamos o que fazer, pois se voltássemos ao acampamento há essa hora seriamos castigados por nossos donos, podendo assim ser até mortos.
Com uma tempestade a caminho, nós apressamos os passos para poder achar algum lugar onde se proteger da chuva e dos ventos.
Havia quase ma hora que estávamos caminhando e nada de achar um lugar pra se proteger.
Passaram mais alguns minutos, e a tempestade estava tão forte que estava nos carregando, o céu estava tão escuro que a floresta tão iluminada de dia, parecia um breu, e um breu sombrio.
Avistamos de relance uma pequena abertura ente as rochas de um paredão. Entrei por primeiro, depois veio meu pai.
Sentia-me tão cansado e com tanta fome, que decidi dormir logo para me recuperar.
Ajeitei-me sobre cascalhos secos e pedaços de grama pra poder me esquentar, apesar de não ter dado muito certo. Logo em seguida já tinha entrado em sono profundo
Mais ou menos as 03:00 horas da madrugada, acordei-me com o soar de um choro. Com a luz da pouca brasa que sobrara da noite anterior pude avistar meu pai que ainda dormira.
Levantei-me com pressa para ver da onde vinham tais ruídos, e com um pedaço de palha sobre minha mão, fui vasculhar a caverna.
A cada passo que eu dava ouvia o barulho ia se dissipando no ar. Passei por pedras e poças, até chegar a uma fissura. Passei por ela. Eu estava cada vez mais concentrado em achar a coisa ou animal que fazia o barulho, ao encontrar um pequeno pedaço de ferro contorcido, peguei-o lembrando-me que poderia ser um animal da floresta ou até um inimigo.
Ao dar uns últimos passos senti algo bater em minhas costas depois não ouvi mais nada.
Alguma coisa tinha me acertado.
Já era de dia quando fui me levantar, assustado sem saber o que poderia ter acontecido, levantei-me do chão e fui procurar meu pai.
Cheguei onde estava acampado na noite anterior, mas não o encontrei La.
Decidi que deveria sair da caverna o mais cedo possível, juntei nossas coisas e fui pra fora da caverna. Eu sabia que meu pai deveria ter conseguido escapar daquela coisa.
Mas levei o maior susto ao velo a margem de um rio.
Não por estar lá, mais por estar com uma mulher.
Reparei em suas vestimentas,e me surpreendi, confesso. A primeira peça, uma camisa de mangas longas, a chemise. Que ia até os tornozelos. Era feita de tecido de lã. Era adornado e seus chemises, havia bordados com fios de ouro. Por cima do chemise, usava um colete acolchoado e justo ao corpo, que comprimia a silhueta; chamado de garde-corps. Então se vestia a vasqueia, que é o vestido propriamente dito, longo e evasê. Por cima da vasqueia ia à sobreveste, que abrilhantava o traje: um casaquinho com mangas, liso, longo, com fendas laterais, de uma só cor.
Os cabelos deveriam ser sempre longos quando se é virgem, e aquela mulher possui isso.
As luvas eram geralmente bordadas pelas mulheres ricas. A confecção de luvas é considerada um segredo e guardada a sete chaves por um seleto grupo de artesãos que sabia confeccioná-los com perfeição.
A mulher vestia-se com um vestido que um dia pareceu ter sido usado por uma senhora da nobreza. Mas pelo que vi na pessoa que o vestia, só poderia ser roubado.
Levantei meu pequeno pedaço de ferro que havia encontrado dia antes, e ameacei tocá-lo na senhorita. Apesar de eu ter ficado surpreso, ao olhar pra meu pai, percebi que ela não oferecia perigo, mas do mesmo decidi continuar com o ferro em mãos.
- Senhor meu pai, quem é esta senhorita que vos acompanha em tão solitário bosque após a guerra?
- Meu filho, esta é Joana D’arc.
- Mas meu pai, ela não faz parte da tropa inimiga? Ela deve ter sido mandada como uma espiã, e pode armar contra nós! Quem sabe o que ela esta por fazer!
- Cale-se filho.
- Mas pai!
Ao olhar meu pai, percebi pela primeira vez o que estava acontecendo. Dias antes ele me disse que “No amor e na guerra vale tudo, menos desejar o mal do próximo”. Eu pensei: Será que ele esta protegendo tal senhorita?
- Se a senhora me permites, gostaria de saber o porquê de você participar de guerras? Isso não é algo que uma mulher tenha conhecimento. Você deveria ficar em sua moradia, aqui uma mulher deve apenas atrapalhar a concentração de homens guerrilheiros.
- Menino. Espero que você não queira ser um monge, pois com seu pensamento sobre mim, percebo que és muito machista.
- O que? Mas é o que sempre aprendi!
- Os monges estão aqui para serem diferentes. Eles existem para por suas próprias opiniões em pratica. E um garoto com você me parece ter uma opinião formada. Deverás aprender o que acreditar, deverás criar seu próprio pensamento. Ser idealista. Ser diferente. Pois só são verdadeiros os pensamentos que não entendem a si mesmos.
O pensamento é uma arte na qual não se pode estragar nem jogar fora. As obras de arte são copias do vivente empírico, na medida em que a este fornecem o que lhes é recusado no exterior e assim libertam daquilo para que as orienta a experiência externa coisificante.
Ela se levantou, caminhou até o córrego de um rio que alguns anos atrás poderia até fazer parte de um mapa, mas que agora a água corria a tão lento passo que se olhares para dentro enxergarias até o mais claro grão de areia.
Entrei na caverna, já estava fazendo frio. Perguntei a meu pai até quando a moça permaneceria conosco, e quando iríamos embora, mas tudo que ele me respondeu foi:
- O silencio fala por si só. Ouça ele e terá suas respostas.
Para não incomodar meu pai, fui dormir.
Sonhei acho eu que a noite toda. Mas não foi um sonho no qual me agradava. Sonhei com Joana.
Não tenho certeza do que eu vi no sonho, mas não gostei do que pude perceber nele.
Sinto atração por ela. Não devia sentir isso. Um monge deve seguir uma vida sozinha e não ser amaldiçoado pela bela essência feminina.
Levantei-me, mas dessa vez eu enxergava o meu pai. Ele estava dormindo ainda. Mas a moça ali não estava.
Joana D'arc? Aonde ela esta? Será que nos traiu? Andei por varias vezes a procura dela, mas nenhuma vez a encontrei. Resolvi então acordar e avisar meu pai, já que ele já esta dormindo mais do que de costume.
Entrei na caverna, ajoelhei-me ao seu lado e o chamei. Embora ele não me respondesse.
Tentei de novo mais nenhuma resposta. Resolvi cutucá-lo e ver se ele acordava, mas nada aconteceu.
Virando o seu corpo de vagar senti leve gelado em minhas mãos. Olhei para elas, e entendi o que teria acontecido.
Sangue! A única coisa que um guerreiro teme. Morto?! Meu pai não poderia estar morto! Cadê aquela vadia! Ela nos traiu! Alguém deve ter vindo aqui de noite e... Matou ele... Mas por que me deixou vivo? .Não havia mais o que fazer se não vingar a alma de meu pai. Fui à procura de Joana. Mas me surpreendi a ver ela tão próxima do rio. Ela não estava ali antes. Preparei-me bem de vagar, já com o metal na mão e uma faca improvisada que estava no bolso de meu pai me aproximei dela. Antes que eu pudesse fazer qualquer contato com ela vi que ao redor dela havia mais sangue. Olhei seu rosto que antes era angelical como o de uma criança, e agora tinha a fúria e o medo de um adulto. Suas roupas que antes já estavam velhas estavam rasgadas em poucas partes, e percebi enormes buracos e rasgos em regiões íntimas. Ela olhou para meu rosto que estava já muito assustado e entendeu que eu já havia visto.
Mas eu me dei conta de uma coisa. Será que meu pai poderia ser tão cruel a ponto de ter abusado de tal jovem? Mil pensamentos vieram a minha cabeça, mas dei tempo ao tempo. Sei que mais tarde ela me explicaria o acontecido. Não a questionei, simplesmente sentei ao seu lado e fiquei ouvindo suas lamentações. Ah, diário querido. Terei que parar de escrever hoje. Tenho que ir dormir. Amanhã será um dia difícil. Talvez o mais difícil de todos. Terei que passar o 1° dia sem meu pai.
23 de setembro de 1429
Olá!
È hoje que tudo acontecera. Hoje voltarei para casa, e enfrentarei a angustia e a dor juntamente com minha família pela ausência de meu pai.
Mas antes de mais explicações terminarei de contar o assunto do dia anterior.
Acordei mais uma vez nesta caverna inútil, mas agora estou sozinho. Meu pai se fora, e Joana D'arc, não entra mais aqui por ter medo de lembrar-se do sofrimento da noite anterior.
Ela me contou hoje logo cedinho o que tinha acontecido.
Ela esclareceu a duvida que eu tive de meu pai ser infiel.
Não, ele não fez nada.
Ela me contou que logo após eu adormecer, certos cavalheiros de aparência bem simples se aproximaram ao redor da caverna. Ela achando que era pessoal mandado para ajuda por seu rei, foi falar com eles.
Mas ao perceber que eles já estavam se aproximando demais de seu corpo, ela gritou para meu pai. Meu pai levantou-se correndo e foi ajudá-la, mas por um segundo de descuido o apunhalaram pelas costas e o mataram.
Logo em seguida abusaram dela. Ela que era conhecida de “a mocinha virgem”.
Eu me indignei com tal história, apesar de meu pai ter morrido de acordo com sua própria lei ”Antes morto em combate com orgulho, que morto por idade sem conquistas”.
Eu sabia agora o que devia fazer. Não iria embora. Irei fazer o que meu pai queria: Garantir a segurança da única mulher em que os homens deviam se espelhar!
Partimos ao anoitecer.
Chegamos no dia seguinte ao vilarejo em que iríamos lutar.
Com a ajuda dos outros cavalheiros arrumamos um cavalo para Joana.
Ela chegaria à frente da marcha e pediria a paz, se não desse certo, eu teria que mandar a marcha para sua formação.
Chegou então a hora de eu partir meu diário. Acho que não irei voltar dessa batalha, mas quem sabe.
Uma ultima coisa:
Se sua senhoria que esta lendo perceber que não há mais páginas, é por que não consegui sair da batalha vivo.
Então quero que faças um favor pra mim, se nada mais estiver escrito aqui nos próximos dias, entregue esse meu relato dos últimos dias a minha família.
Caso contrario, continue a ler.
Adeus.
Estou partindo agora.
Bárbara Gottardo amador
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